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O custo emocional de empreender

Empresa com homens líderes
  • 23/09/26
  • -
  • Diálogos Necessários

85% dos empresários relatam ansiedade, 37% apresentam burnout e 22% relatam ataques de pânico. Os números são do Sebrae, ano de 2024 e ajudam a colocar em perspectiva uma discussão que ainda costuma ser tratada como questão individual: a saúde mental de quem empreende.

Um estudo da FGV, ano de 2025 analisou 45 artigos científicos sobre saúde mental de líderes e estresse e burnout foram os problemas mais recorrentes. 

Endeavor em parceria com BID Lab, ANDE e Flourish Ventures apresentou uma pesquisa em 2024 sobre Saúde e Performance de Pessoas Empreendedoras e os dados nos mostram que: 

  • 60,2% apontam a situação financeira da empresa como um fator de estresse. 
  • 43,2% mencionam o desequilíbrio entre trabalho e vida pessoal. 
  • 29,7% apontam o medo do fracasso. 

Esses dados nos dizem que existe uma parte do empreendedorismo que quase ninguém coloca na planilha é aquela que acontece quando o empreendedor fica sozinho diante de uma decisão que pode afetar o caixa, a família, os sócios, os funcionários e, muitas vezes, a própria continuidade da empresa.

Minha experiência diz que o empresário não teme apenas fracassar, mas sim decepcionar quem acreditou nele: o cliente, o sócio, a família, o funcionário que depende daquele salário.

Os dados ajudam a dimensionar esse cenário, e isso deveria mudar a maneira como pensamos sobre gestão. O problema é que quando não existe outro espaço para colocar essas preocupações, o empreendedor começa a processá-las sozinho e sozinho, durante tempo demais, qualquer problema parece maior.

Um líder exausto tende a operar com menos margem para analisar informações, avaliar alternativas e tomar decisões com a mesma qualidade e uma empresa que depende excessivamente de uma única pessoa cria um risco adicional: se essa pessoa parar, parte importante da operação pode parar junto.

Por isso, uma das melhores formas de reduzir a pressão é construir estrutura.

Ter indicadores financeiros acompanhados regularmente reduz a necessidade de tomar decisões baseadas apenas na sensação de que “as coisas estão ruins”.

Fluxo de caixa, vendas, margem, endividamento, contas a receber, custos fixos e necessidade de capital de giro precisam estar visíveis.

Da mesma forma, algumas funções podem e devem ser terceirizadas: contabilidade, jurídico, tecnologia, marketing, financeiro ou determinadas atividades operacionais podem ser entregues a especialistas. 

Além dessa existe mais uma medida simples que pode gradativamente ser colocada em prática até virar um hábito: deve existir momentos formais para acompanhar o negócio em vez de pensar nele o tempo inteiro.

Porque se os indicadores são acompanhados toda semana, o problema pode ser identificado antes de virar uma crise, se as decisões são registradas, fica mais fácil avaliar o que funcionou e o que não funcionou e se as responsabilidades são distribuídas, a empresa deixa de depender exclusivamente da disponibilidade de uma pessoa.

Mas eu já adianto, isso não elimina toda a pressão, mas transforma uma pressão difusa em algo que pode ser administrado e isso importa.

Empreender envolve riscos e tomada de decisões sob incertezas, o objetivo não é eliminar esses fatores, mas reduzir sua concentração e criar mecanismos de controle. Afinal, preservar a capacidade de decisão do gestor também é uma forma de proteger o capital humano e reduzir o risco operacional da empresa.

E é justamente nesse contexto que o Setembro Amarelo nos lembra que cuidar da saúde mental também faz parte da gestão de uma vida e de um negócio.


Sobre o autor e o movimento

Este artigo foi escrito por Ewertton Gonzaga (LinkedIn, Instagram), Professor de Economia e Finanças at FGV, Chairman ECOGROUP, especialmente para o movimento de valorização da vida idealizado pela Insight Editorial neste Setembro Amarelo. Acreditamos que dar espaço para conversas reais sobre saúde mental e dignidade é um passo fundamental para transformar realidades.

Convidamos você a continuar essa reflexão lendo os outros artigos do nosso movimento: O que acontece com o cérebro quando colocamos nossos pensamentos no papel?, escrito por Mag Brusarosco, e Setembro Amarelo: falar de saúde mental é falar sobre a vida, escrito por Beatriz Ramos Araújo.

Para se aprofundar ainda mais, conheça também a nossa categoria especial de livros relacionada ao Setembro Amarelo no site e descubra as obras dos autores que fazem parte desta iniciativa de acolhimento e conscientização.

Mag Brusarosco
Mag Brusarosco | Coluna da editora-chefe Insight Editorial

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