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Não foi uma decisão planejada. Lutei muito para chegar onde estou e ainda falta um tanto para chegar onde quero. Claro que, ao longo dessa jornada, toda oportunidade que apareceu foi bem-vinda. E, quando os resultados começaram a vir, eu me empolguei. Seria hipócrita se não dissesse que os resultados financeiros também me agradaram. No fim das contas, todo mundo tem que pagar boletos, não é?
Confesso que não foi diferente quando os convites para trabalhar com livros de não ficção começaram a aparecer. Especialistas, empresários e profissionais de diferentes áreas precisavam organizar seus conhecimentos, compartilhar experiências e transformar tudo isso em livros. E eu, que amo estruturar ideias, abracei esses projetos.
A escrita de não ficção é um universo incrível, ela me ensinou muito sobre livros, pessoas e as diferentes razões pelas quais alguém decide escrever. Até que comecei a receber alguns questionamentos que me incomodaram:
Se você é editora e escritora, por que não encontro seus livros?
A pergunta me atingiu no peito. Não porque eu não tivesse o que escrever, Deus sabe quanto material para publicar eu tenho, mas porque comecei a perceber uma contradição na minha própria trajetória.
Comecei tudo isso justamente porque queria aprender a escrever. Fui estudar, me especializei, trabalhei com histórias, desenvolvi formações, analisei manuscritos e ajudei outros escritores a tirar seus projetos do papel. Muitos deles, inclusive, foram premiados. Construí uma carreira em torno dos livros, mas, em meio a tudo isso, o tempo para escrever os meus foi ficando cada vez menor.
Quanto mais eu dizia o quanto escrever era importante para mim, mais percebia que, na prática, sempre havia alguma coisa mais urgente para fazer. Porque o trabalho consome a gente e, se esperarmos o dia em que todas as tarefas estiverem concluídas, corremos o risco de terminar a vida com uma agenda impecável e um manuscrito em branco.
Como eu disse, durante esse período envolvida nos projetos de não ficção, trabalhei com pessoas que tinham conhecimentos para compartilhar, experiências para registrar e histórias de vida para contar. Eram ideias que precisavam encontrar uma forma de chegar ao leitor.
Então fui percebendo que nem todo mundo quer escrever um romance. Há quem queira transformar anos de experiência profissional em um livro, registrar a história da família ou compartilhar um conhecimento que merece chegar a outras pessoas.
Foi aí que comecei a olhar para o livro por outro ângulo: não apenas como uma obra literária, mas também como uma maneira de organizar o pensamento — algo que já comentei no artigo anterior, publicado em setembro. Quando a vontade de escrever transborda, não tem como segurar.
Quando alguém me diz que quer escrever um livro, minha primeira preocupação não é saber quantas páginas ele terá. Tudo o que quero entender (e meus alunos podem confirmar isso, kkk) é: o que o escritor pretende transmitir com aquela história? Para mim, essa é a essência da premissa, o ponto de partida de todo livro.
A resposta muda muita coisa: a maneira de planejar o livro, as decisões editoriais, a estrutura, a linguagem e até a estratégia para chegar ao leitor. Não basta ter uma boa ideia e sair escrevendo, achando que tudo vai dar certo, mas eu te garanto: se você encarar a jornada, ela vai valer a pena!
Pergunte aos meus alunos premiados ou àqueles que esgotaram suas tiragens nas bienais se eles imaginavam que o resultado seria tão incrível quando tivemos nossa primeira reunião sobre o que queriam escrever… Vai lá, pergunta!
Essa é a melhor definição: 99% transpiração e 1% inspiração.
Tudo começa quando você compreende quais ferramentas podem ajudar, para de sonhar e efetivamente senta a bunda na cadeira pra começar escrever.
Enfim, conhecimento técnico e criatividade andam de mãos dadas e eu vou começar a falar sobre tudo isso no Podcast Papo da Mag – Audioaulas semanais de escrita e técnicas narrativas. Aproveita e se inscreve!
Em ambos os casos, escrever bem é importante, mas saber o que fazer com aquilo que se escreve também faz diferença.
Não é a ideia romântica de que todo mundo tem um livro pronto dentro de si. Até porque, se fosse assim, a gente não precisaria estudar estrutura narrativa, revisar manuscritos ou descobrir por que aquele capítulo não funciona.
Acredito no poder de escrever um livro porque vejo o que acontece quando uma ideia recebe atenção, método e orientação. Mas sejamos francos: isso não significa que todos os livros terão o mesmo alcance, que toda publicação será um sucesso comercial ou que o processo será simples. (Pergunte aos meus alunos como eles se sentem profissionalmente depois de uma mentoria inteira comigo. Aposto que não imaginavam que passariam por caminhos tão interessantes ao desenvolver suas ideias.)
A verdade é que o mercado tem suas próprias regras, o leitor tem suas preferências e cada obra encontra seus próprios desafios. Mas existe uma etapa entre ter uma ideia e transformá-la em um livro que pouca gente conhece de verdade até passar por ela.
É nessa jornada que você entende a complexidade do trabalho, descobre o que ainda precisa aprender e percebe que escrever envolve muito mais do que colocar ideias no papel.
É por isso que amo o que faço, e vivo deixando meus escritos para depois. Além de ajudar a transformar ideias em livros, tenho a oportunidade de compartilhar conhecimento, mostrar caminhos, provocar reflexões e ajudar escritores a compreender melhor o próprio trabalho.
Eu sei, eu sei… vivo me empolgando. Mas, como disse antes: agora mudei!
Afinal, estou escrevendo este artigo justamente para declarar minhas intenções. Além de continuar fazendo o que amo, estou focada em me preparar para o momento daquela conversa no céu… Não quero chegar de mãos abanando, sabe?
Aliás, olha a ironia! Só agora, enquanto escrevo este artigo, me dei conta de que tenho um curso para ensinar escritores a tirar seus livros da gaveta, enquanto a minha agenda tratava de deixar meus próprios textos esquecidos por lá. Pois é, gente: a pessoa que ensina também precisa colocar em prática o que sabe!
Por isso, desde o começo do ano, tenho resgatado esses escritos. E, se eu posso começar agora, você também pode!
Bora escrever!
Na Insight Editorial, continuo acreditando que um livro merece mais do que uma boa intenção. Seja uma história inventada, um conhecimento construído ao longo de uma carreira ou uma experiência que alguém decidiu registrar, meu trabalho (assim como a escrita dos meus próprios livros) começa quando a ideia precisa encontrar um caminho.
Cada projeto editorial é pensado para se transformar naquilo que o autor deseja realizar. E é por isso que continuo acreditando no poder de escrever um livro.


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